quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Rádio Vitrola, na PIER FM

Estréia hoje às 21:00hs na PIER FM, nosso programa Rádio Vitrola. É uma extensão deste projeto aqui, o blog. Lá falaremos dos bastidores da música brasileira, teremos resenhas e outras notícias interessantes para deleite dos amigos blogueiros que nos prestigiarem com sua audiência.
Estamos muito animados com nossa nova faceta de radialistas. Eu e a Aninha, só pensamos nisto nesse momento.
Aguardem que virão novidades!

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Sá&Guarabyra

Este texto, com certeza virará um belo programa na PIER FM, só aguardar. Por enquanto isto saiu no ESTADÃO.

Coletânea esconde Cadernos de Viagem

Disco raro de Sá & Guarabyra, produzido por Rogério Duprat em 1975, ressurge esfacelado em compilação de três CDs

Lauro Lisboa Garcia


Passa o tempo, mudam os formatos, o mercado pede socorro e as gravadoras continuam a sucatear seus acervos, insistindo em coletâneas em vez de investir nos álbuns originais - o que interessaria mais aos colecionadores. Em edição desleixada, a "vítima" da vez é o raro Cadernos de Viagem, da dupla Sá & Guarabyra com a cantora Marisa Fossa. Lançado originalmente em LP em 1975, o disco teve produção, arranjos de orquestra e regência do tropicalista Rogério Duprat (1932-2006). Chegou ao CD em 1994, mas logo saiu de catálogo.

Além da ausência da arte original e de esfacelar o álbum, a série Super 3 (Warner) estampa uma mentira na capa, em formato de caixa: "34 super hits!!". Segundo trabalho da dupla, depois da separação de Zé Rodrix, o que Cadernos de Viagem não tem é hit. Tem, sim, belas e prazerosas canções em arranjos semi-acústicos e uma polirritmia compatível com o espírito estradeiro do projeto, com suas paisagens e personagens variantes, que inspiraram letras bucólicas, existenciais e afetuosas.

A viagem começa pelo Rio, passa por Bom Jesus da Lapa (cidade natal de Guarabyra), Santa Maria da Vitória, Correntina e Montes Claros, entre outras, e termina em Belo Horizonte. O relato de episódios está impresso na capa interna do LP, que sumiu nas versões em CD, bem como a ficha técnica. Até chegar ao conteúdo integral de Cadernos de Viagem, todo espalhado pela coletânea, o ouvinte tem de saltar algumas versões ao vivo, que tomam boa parte dos três CDs, como Espanhola e Harmonia, estas, sim, hits de longo alcance.

Ondina Poconé é uma das mais interessantes, com sua mistura de rumba e funk-jazz com toques de brasilidade. Com participação de Marisa Fossa no vocal, outras têm mais acentuadas as texturas de rock rural que identifica o trabalho da dupla, como a melancólica Dança o Atrevido, Mundo Invisível, a faixa-título e Roda o Mundo. Com violão à Novos Baianos, Lá Vem o Bicho tem algo de sambalanço com sotaque nordestino. Tarzan dos Cromados segue linha parecida, reverberando psicodelia e toques de música árabe.

Muchacha é uma espécie de valsa folk, Véio Camalião é um divertido country-charleston. Passo-Preto tem um suingue próximo do samba-soul. Xote Correntino é da linhagem de Sete Marias, que eles emplacaram em 1980 e também está na coletânea. O Que Você Quiser é uma vinheta sem música, apenas com um som de respiração humana e ruídos de chuva e trovão ao fundo, até que alguém bate na porta e uma voz de criança pergunta: "Mamãe, você ainda está aí?" E então ouve-se o estrondo de um raio.

Em 1975, Guarabyra disse que foi em Cadernos que eles estabeleceram um caminho: "Nele, o rock rural é muito mais rural do que rock, porque agora já temos o nosso público e podemos nos dar a esse luxo." Ele vinha mais "da experiência do sertão para a cidade", enquanto Sá e Rodrix fizeram o caminho inverso. A união dos três rendeu canções antológicas, como Hoje Ainda É Dia de Rock e Primeira Canção da Estrada, presentes nesta compilação, que fizeram a cabeça de muito mochileiro maluco. Falta recuperar Viajante, só lançada em compacto com Ribeirão do outro lado.

AQUI, excelentes informações com ficha técnica do LP, em vinil, claro.
Quer ouvir? Clique AQUI

domingo, 21 de dezembro de 2008

Mensagem de final de ano-Feliz 2009!

Final de ano se aproximando, é hora de despedidas e planos para o futuro. Logo mais em 06/01/09 estaremos no ar com novidades.
Este blog servirá de apoio para aprogramação da PIER FM, nossa web rádio. Vai virar programa semanal em dia a ser definido ainda.
Que venha logo o 2009!
Aos amigos leitores e agora também ouvintes, nossos desejos de FELIZ NATAL e um 2009 pleno de alegrias.
Até lá!

Persistência e genialidade


"Quero manter o sonho de tocar com 1 ou 2 dedos", diz pianista que enfrenta 9ª cirurgia

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AMARÍLIS LAGE
da Folha de S. Paulo

O ano era 1908 e a cidade, Braga (Portugal). Aos dez anos, José Martins sempre parava, a caminho do trabalho, diante de uma janela. Era atraído pela música --dentro da casa, uma mulher dava aulas de piano. Ela o chamou e disse que o ensinaria a tocar. Três dias antes da primeira aula, porém, o menino perdeu um dedo da mão direita num acidente de trabalho.

Não aprendeu a tocar piano, mas fez questão de que seus quatro filhos aprendessem. O caçula é João Carlos Martins, o pianista e maestro que alcançou precocemente fama internacional, é considerado um dos maiores intérpretes de Bach do mundo e que, aos 26 anos, por causa da queda em um jogo de futebol, perdeu parte dos movimentos da mão direita.

Divulgação
O pianista João Carlos Martins fará a 9ª cirurgia nas mãos para continuar tocando
O pianista João Carlos Martins fará a 9ª cirurgia nas mãos para continuar tocando

O acidente foi o primeiro de uma série de obstáculos que Martins precisou enfrentar para continuar tocando. Ele teve LER (lesão por esforço repetitivo), tirou um nódulo na mão esquerda e, durante um assalto na Bulgária, sofreu uma lesão cerebral que afetou o movimento da mão direita. Além disso, por questões hereditárias, tem deformações articulares nos dedos.

Na próxima sexta-feira (26), enfrentará mais um: passará por uma cirurgia --a nona nas mãos-- para alongar um tendão. A meta é reverter um problema que surgiu neste ano: um desvio no punho direito.

Com 68 anos e as duas mãos praticamente fechadas, Martins ainda pratica diariamente, além de manter uma agenda intensa de apresentações. No piano, usa apenas os dois polegares e o indicador esquerdo. Adaptou-se às limitações físicas. Mas o esforço, observa, está maior a cada dia.

Na última quinta-feira (18), após falar e tocar para gerentes do Banco do Brasil, numa palestra sobre superação, queixou-se com a equipe que o acompanhava: mal havia conseguido tocar a "Ave Maria" de Gounod.

O problema, diz, é que a mão direita, mais comprometida, começou a ficar torta para fora. Com freqüência, ele faz força para trazer a mão à posição normal. Nessas horas, cerra os olhos e os dentes devido à dor.

Destro, enfrenta problemas também quando não está tocando. "Toda manhã, o meu desafio é fazer a barba. Cada dia é um pouco mais complicado, mas eu não abro mão. Na hora que termino, falo: o primeiro desafio eu venci."

O segundo, conta rindo, é deixar cair o sabonete no banho --quando isso ocorre, sua estratégia de usar os dedos como pinças não é eficaz. "Eu sei que existem aqueles para prender na mão", diz. Mas ele se recusa a usar objetos adaptados.

A exceção é o carro automático. "Tento usar o jogo do contente", conta Martins. "Dirigir dói. Mas, pelo menos, posso usar a vaga para deficiente físico." Nem sempre, porém, o jogo funcionou. "Em alguns momentos, cheguei a pensar em morrer. Era imaturidade."

Cirurgia

No procedimento, será feito um alongamento de tendão --a meta é que, assim, Martins consiga flexionar a mão direita para dentro novamente. "Esse desvio está começando a me impedir de alcançar o polegar na tecla. E, pelo menos o sonho de tocar com um ou dois dedos, eu quero manter até morrer."

Na mão esquerda, será aplicado botox, para que ele consiga estender os dedos. Atualmente, dois deles ficam tão flexionados que as unhas machucam a palma da mão.

A idéia é avaliar a reação ao botox para, em fevereiro, operar também a mão esquerda. "Na direita, não há muito a fazer. Nunca mais poderei tocar normalmente com ela. Na esquerda, nunca vai morrer a minha esperança de um dia poder tocar. Por isso, nela, qualquer intervenção deve ser perfeita."

Martins passou anos tocando só com a mão esquerda depois que precisou seccionar um nervo da direita --a medida buscava diminuir as dores que ele sentia na região, tão fortes que ele precisava tomar morfina.

Até que a esquerda começou a ficar inchada. Em 2002, o problema foi tão intenso que ele precisou cancelar uma apresentação em Paris. Descobriu que sofria de uma doença chamada contratura de Depuytren, na qual a formação de nódulos leva à contração dos dedos. Somada à LER, a doença o impediu de continuar tocando.

A volta à música foi por meio da regência, que Martins começou a estudar em 2003, aos 63 anos. A nova fase foi acompanhada pela criação das orquestras Bachiana Filarmônica e da Bachiana Jovem, formada por moradores da periferia e voltada à formação de novos músicos. Para reger, usa luvas, que mantêm suas mãos abertas.

"O meu maior projeto, a luz no fim do túnel, é deixar um projeto de inclusão por meio da música", afirma o pianista.

Pergunto se sua meta é achar um novo João Carlos Martins. Ele sorri: "Já encontrei alguns."

Madonna no Brasil


Reportagem: Jotabê Medeiros

Madonna parecia seguir à risca o roteiro de sempre no show de ontem à noite no Morumbi. Mesmo o atraso das apresentações anteriores no Brasil foi mantido - ela surgiu de sobrancelha erguida no trono pouco depois das 21h30. Mas a noite era de surpresas. Quem começou a quebrar o protocolo foi o público. Pouco antes da abertura do show, comandada pelo DJ Paul Oakenfold, a multidão esqueceu por instantes da cantora pop e ajudou a prender um ladrão. Madonna, por sua vez, foi calorosa e interagiu como nunca nesta passagem pelo Brasil.

Leia também: Arthur Fogel, o chefão da turnê

Ainda não eram 20 horas quando um rapaz de mochila preta nas costas furtou uma pessoa na arquibancada vermelha, do lado esquerdo do palco. Quem estava por perto começou a gritar, enquanto o ladrão corria sozinho entre o público. O rapaz conseguiu pular a grade que separa o setor das arquibancadas laranjas e continuou a correr. Logo os gritos se transformaram em uma espécie de ola que ecoou por todo o estádio. A ação não demorou cinco minutos, até que seguranças conseguiram deter o assaltante, já no final da arquibancada. A platéia comemorou. O Estado procurou as polícias Civil e Militar, mas até as 23 horas não havia informações sobre a identidade do assaltante nem registro de boletim de ocorrência.

Passado o episódio, todos os gritos eram para Madonna. O público de sábado foi mais numeroso do que o de quinta-feira. Segundo estimativa da organização, os 70 mil lugares do estádio estavam ocupados. O número oficial não foi divulgado. Na pista, um casal celebrava o show em clima romântico: o arquiteto Rafael Rodrigues fez questão de trazer de Fortaleza o namorado, o bioquímico Nilton Cunha. Vestidos com camisetas de lantejoulas, beijavam-se e dançavam. "Vim para ouvir Vogue e trouxe meu homem para isso."

O público não se importou com os erros cometidos em algumas canções - as improvisações fazem crer que a musa quis dar uma resposta aos que a acusaram de fazer playback. Ontem, ela errou a letra de Human Nature, que está no set-list. A música escolhida por um dos fãs ontem foi Express Yourself. Logo depois, a cantora fez um comentário em alusão ao tombo que levou no Rio: "Sem chuva e sem dor eu não reclamo."

O ponto alto, porém, veio depois de La Isla Bonita. Assim que terminou a canção, Madonna disse, em inglês: "Eu estou muito triste porque amanhã é o último dia de show da turnê (Sticky and Sweet). Mas, ao mesmo tempo, eu estou muito feliz porque vai ser em São Paulo." O Morumbi estremeceu. "É a melhor platéia que já tive".

Assim, a pop star se rendia definitivamente a São Paulo, depois de "esnobar" a cidade, permanecendo no Rio (onde fez duas apresentações) até o último instante, desembarcando em cima da hora do show de quinta-feira. E se o público paulistano já se dava por satisfeito, Madonna avisou: vai voltar muito em breve. "Vocês gostariam disso?", perguntou. E a multidão, desta vez em inglês, gritou: "Yes!"
COLABOROU ALINNE DAUROIZ (ESTADÃO)

domingo, 14 de dezembro de 2008

FAGNER


Ainda do tempo da minha estada na gravadora dos tres sininhos, tenho uma recordação. Dessa vez a vítima é FAGNER.
Uma tarde calorenta, verão de 1975 entra um sujeito falando alto, passos apressados, sotaque cearense. Estava brabo, possesso. Anda em direção ao escritório do diretor comercial da gravadora que ficava no terceiro andar naquele prédio da Av. do Estado, bairro do Cambuci, bem próximo ao centro de São Paulo.
Os gritos e alguns palavrões são ouvidos até lá embaixo na recepção. O Ariston, paraibano que fazia as vezes de porteiro e segurança sobe as escadas, esqueceu até do elevador.
Chega a tempo de ver o desconhecido possesso, cuspindo fogo pelas ventas enfiando o dedo em riste na cara do Rodriguez.
Nunca fiquei sabendo o motivo, mas desconfio. O disco do Fagner, AVE NOTURNA, acabava de ser lançado. Apesar das músicas lindas, arramjos notáveis e da voz inconfundível de Raimundo Fagner, a gravação foi muito mal feita; os chiados característicos do vinil prensado nas coxas pela gravadora era mesmo de deixar qualquer um emputecido. Naquela tarde aprendí que não se deve nunca deixar um cearense avexado.

Biografia:
Cearense de Orós, aos 5 anos ganhou um concurso infantil na rádio local. Na adolescência formou grupos musicais vocais e instrumentais e começou a compor suas próprias músicas.

Venceu em 1968 o IV Festival de Música Popular do Ceará com a música "Nada Sou", parceria sua e de Marcus Francisco. Tornou-se popular no estado e juntou-se a outros compositores cearenses como Belchior, Rodger Rogério, Ednardo e Ricardo Bezerra.

Mudou-se para Brasília em 1971, classificando-se em primeiro lugar no Festival de Música Popular do Centro de Estudos Universitários de Brasília com "Mucuripe" (com Belchior). Ainda em 71 foi para o Rio de Janeiro, onde Elis Regina gravou "Mucuripe", que se tornou o primeiro sucesso de Fagner como compositor e também como cantor, pois gravou a mesma música em um compacto da série Disco de Bolso, que tinha, do outro lado, Caetano Veloso interpretando "Asa Branca".

O primeiro LP, "Manera, Fru-fru, Manera", veio em 1973 pela Philips, incluindo "Canteiros", um de seus maiores sucessos, música sobre poesia de Cecília Meireles. Mais tarde fez a trilha sonora do filme "Joana, a Francesa", que o levou à França, onde teve aulas de violão flamenco e canto.

De volta ao Brasil, lança outros LPs na segunda metade dos anos 70, combinando um repertório romântico a partir de "Raimundo Fagner", de 1976, com a linha nordestina de seu trabalho. Ao mesmo tempo grava músicas de sambistas, como "Sinal Fechado", de Paulinho da Viola.

Outros trabalhos, como "Orós", disco que teve arranjos e direção musical de Hermeto Pascoal, demonstram uma atitude mais vanguardista e menos preocupada com o sucesso comercial.

Nas décadas de 80 e 90 seus discos se dividem entre o romântico e o nordestino, incluindo canções em trilhas de novelas e tornando Fagner um cantor conhecido em todo o país, intérprete e compositor de enormes sucessos, como "Ave Noturna" (com Cacá Diegues), "Astro Vagabundo" (com Fausto Lindo), "Última Mentira" (com Capinam), "Asa Partida" (com Abel Silva), "Corda de Aço" (com Clodô), "Cavalo Ferro" (com Ricardo Bezerra), "Fracassos", "Revelação" (Clodô/ Clésio) "Pensamento", "Guerreiro Menino" (Gonzaguinha), "Deslizes" (Sullivan/ Massadas) e "Borbulhas de Amor".

Quer ouvir Raimundo Fagner? Clique AQUI e ouça a PIER FM
Baixar músicas de Fagner? AQUI

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Para matar a saudade, um jingle dos bons tempos.
Muita gente foi dormir ao som desse comercial. Na época, ainda em preto e branco.
Cobertores Parayba.